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setembro 03, 2009
My computer nights II
Arrumei a bagunça do quarto. Isso quer dizer que a arrumação do computador não é mais uma necessidade premente. Isto é, não é mais o refúgio preferencial. Agora eu posso me refugiar em outras coisas.
Também não tenho scripts pra fazer. E o programa de atualizar o computador está com defeito, então por um tempo não vou fazer isso.
O que farei, portanto, com minhas noites ao computador? Jogar Mafia Wars? Ou farei finalmente um backup dos meus importantes arquivos? Ou, ainda, será que começarei a trabalhar no computador? E se for isso, o que farei? Traduções? Finalizarei meu livro? Ou lerei textos há muito separados?
Dizem que a capacidade de armazenamento dos computadores cresce na mesma proporção que o uso desse espaço, numa perspectiva histórica: os jogos de antes ocupavam muito menos espaço que os de hoje, o sistema operacional, os aplicativos de escritório. Os de hoje são mais capazes, oferecem mais recursos. E ocupam mais espaço, do qual dispomos. Nossos discos rígidos estarão sempre a um passo de estarem cheios. De músicas, de filmes, também. Eu levaria nove dias e meio ininterruptos pra ouvir todas as músicas que eu tenho gravadas aqui. E ainda não copiei todos os meus discos.
Mas sim, nove dias e meio. Só de músicas. Imagine quanto tempo eu levaria pra explorar todos os textos, os documentos, que eu tenho aqui.
A biblioteca mudou de forma, mas ainda nos assombra e, como nuvens espessas, encobre o sol.
A ninguém é dado apropriar-se de tudo aquilo a que tem acesso.
Estaremos sempre aquém, não importa quantas noites passemos em claro.
O saber não é uma grandeza absoluta, porque é sempre falho, e também não é uma grandeza relativa, porque é ínfimo em qualquer comparação possível.
Sim, nossas noites em claro são sempre fracassos, e apenas logramos na medida em que insistimos em fracassar.
É, acho que é isso.
Publicado pelo homelupus em setembro 3, 2009 11:23 PM