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agosto 05, 2009

Escritor futuro

Um mês passado da FLAP, quase, eu ainda não consegui começar a falar do que foi aquele negócio.
Quem contou, de maneira objetiva, e surpreendentemente isenta de exageros, foi a Ana Rüsche, claro, sempre com o espírito alerta. Nós, homens, já disse em algum lugar, somos mais lentos, não é de se surpreender.
E com todos os trabalhos novos, isto é, o trabalho no hospital-dia do Vera Cruz (ih, falei, mas também desfalar vai dar mais trabalho, fica assim) me impede de fazer planos.
Mentira. Me impede só de falar deles.
Mentira, vou começar a falar de alguns é já.
Só alguns.
Parece que eu fico mais criativo sob pressão, é isso? Eu não saberia dizer, não sou psicólogo.

A Piolheira não voltou à atividade ainda, porém a mesma Ana Rüsche iniciou um projeto maravilhoso, inédito, importantíssimo, salutar, vigoroso, expansivo, eclético (ah, não eclético eu não sei, lembrei de um cara), enfim, não vou contar isso ainda, não em detalhes. Mas vocês sabem onde procurar, e sabem o que vale a pena procurar. Liberdade é uma coisa de que não carecem meus poucos leitores. Só digo então que vou participar, e que quem não for é mulher do padre.
Eu e a Camila -- a mesma vencedora do concurso aquele-lá-que-fiz-aqui -- planejamos uma nova ação com dança e poesia. Mais uma vez, não posso falar mais do que isso, e dessa vez tenho outras motivações inclusive. Digamos só que é tão foda que não sei se tenho coragem. Deve ser foda mesmo, porque eu não lembro a última vez que eu não tive coragem de fazer alguma coisa. Sou daqueles capazes de deitar no trilho do trem sem tremer, é o que eu estou tentando falar. Mas aí fica parecendo que eu queira aparecer, e não é mesmo esse o caso.

Sei que tenho ideias importantes pra FLAP do ano que vem. Sendo a primeira delas a respeito do que é verdadeiramente um festival de poesia jovem. Não, não é o lugar de falar disso aqui, neste post. Isso merece um lugar próprio. Vamos reiniciar um site? Talvez. Ou uma comunidade virtual? Talvez seja um bom começo. Acontece que me senti um pouco solitário, na organização deste ano. Senti falta da contribuição de tanta gente boa que está por aí, e que a gente nem sempre ouve falar. Mas ouve. Duas cabeças pensam melhor que uma. Imagina trinta, ou cinquenta. Fizemos o que pudemos, e não foi pouca coisa, é fácil ver. Mas é também evidente que não aprendemos tudo o que ainda podemos dos anos anteriores, nós que também não estávamos tão presentes assim, ou não presentes at all. E já estamos trabalhando nisso, aos poucos não será preciso eu dizer.

E por último, mas não menos importante, resolvi falar das traduções. Vou traduzir um poeta mexicano este mês, ainda não comecei o trabalho, logo digo como está indo. Adianto (é sempre importante adiantar alguma coisa) que o cara é bom. É óbvio, porque não estão me pagando nada, também. É, digamos assim, o que fazemos por esporte e nas horas de lazer (as quais me faltam). Mas tem outra, que eu farei sim por dinheiro. Bem pago. Acho que eu mereço, after all. E não é estranho ter que dizer isso? E, last but casi listo, a tradução do maravilhoso El Recreo da Valeria Meiller. Será publicado na respeitável Celuzlose, revista do Victor del Franco. Esta não faço nem pelo dinheiro, nem pela amizade, mas por puro amor. Foi um texto que a Ana Rüsche trouxe o ano passado, depois do Poquita Fe, e foi o que motivou convidarmos a poeta para o nosso festival. E, enfim, o que me motivou escrever aqui hoje, a notícia que queria mais do que todas transmitir, é que encontrei enfim o poema que vou traduzir do Pablo Paredes, outro poeta que também pudemos trazer para o festival e que encantou a todos. Também essa tradução farei por amor, sem dúvida, nós poetas somos carinhosos, exagerados, e gigantes (às vezes nem eu me aguento, é a falta de sono): En una sola sala. Não será o único.
O Alejandro Mendez ainda não consegui traduzir. Ainda não consegui entrar na poesia dele o suficiente.
Mas aprendi que para ler poesia basta não ser refratário a ela, basta colocar um pezinho dentro. Porque a gente acaba descobrindo cedo que em poesia não existe isso de por só o pezinho, tem que saltar. Venha ou não venha o trem.

Publicado pelo homelupus em agosto 5, 2009 11:26 PM

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