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abril 13, 2009

Pequenas iluminações V

E falando em pequenos círculos, conversamos bastante sobre religião, nesses dias. Afinal, era Pessach, Páscoa, e era preciso pensar sobre os novos começos.
Afinal, Cristo ressuscitado pode significar duas coisas, ou bem que o nosso deus está desde sempre morto, como dizia o Lacan, que era católico, ou bem que está desde sempre redivivo. Tal é o nosso mito de origem.

Tivemos ideias sensacionais, cumprir algumas promessas. Semana que vem falo disso. Sim, é preciso esperar.

Também estamos para declarar oficialmente o início da criação da FLAP 2009. Sempre morto ou redivivo, trata-se de um recomeço, é o que tem de claro nesta estação. Minha lista de tarefas está gigante, marcar ela com caneta vermelha não torna a coisa pior nem melhor, é só um detalhe curioso. Eu continuo fazendo mais promessas do quanto posso cumprir, é como um voto. Mas a FLAP não só vai sair, como vai ser incrível. Prometo. Cuidarei disso pessoalmente, como diz um amigo meu.

E almocei sozinho, é mole? Não pude nem me sentir injustiçado, o bacalhau estava ótimo, e eu não ajudei um nada. Mas dá o que pensar, não? Sim, dá, eu continuo achando triste. Mas depois a Ana me telefonou e fomos com o Ricardo e mais o garoto novo na Pça. Roosevelt, como assim pra dizer, o que vcs estão fazendo aqui? E comemos a tortinha de maçã, preparada com cuidado e um certo tanto de peripécia, pelo que sei, e lemos um texto que quase sai das minhas mãos pra garotinha no ônibus, mas ela era muito nova e não ia entender nada. Melhor assim. Pois no nosso mito de origem há também deuses vorazes, será a Tempestade ao mesmo tempo Thor e a rainha das histéricas? Bebemos bebemos.

Then it hit me. Se pomos tudo à prova, desde a antropologia de patronato fisicista, a poesia de Dirceu Villa em confronto com a música do Arcade Fire, as garotinhas de todas as idades e sexos, e mesmo um crítico famoso de cinema, que não pôde recusar o Sonho de Valsa tão ternamente oferecido (ah, o salvo conduto de Páscoa) -- sei que ele teria ficado pra conversar, se nós tivéssemos também esse afã -- não é porque sejamos arrogantes. Não, a palavra arrogância aqui destoa, e vcs acabariam concordando comigo, porque escrevo pra tão poucos, tão poucos, hoje, que os mais acabariam concordando comigo. Não é arrogância, de maneira nenhuma.

É que eu entendi finalmente qual é a nossa geração. Mas deixa-me guardar esse tesouro só pra mim, por enquanto, e aqueles poucos, deixa-me sentir o gosto salgado antes de decidir se enterro ou abro esse baú. Seria mesmo preciso uma imagem pra fazê-los entender, mas não entendam nada ainda, não compreendam tão rápido, como diria o Lacan. Pode-se amar pouco e bem pode-se amar muito, mas não vamos nos apressar.

PS.: como acabei Os irmãos Karamázovi, quase um ano depois -- é com esse mesmo silêncio que se encerra uma obra-prima, sem pressa nem necessidade de estrondo -- precisava de outro livro pra começar. Eis que meu pai me conta sobre o Deserto dos Tártaros, parece que há um filme, e eu não terminei esse livro também. Será ele, portanto. Que ninguém pense que as coisas vêm assim ao acaso.

Publicado pelo homelupus em abril 13, 2009 12:05 AM

Comentários

"Then it hit me" é a melhor expressão ever. Eu acho que já disse isso. Sempre lembro da maçã caindo na cabeça de Newton. Then it hit him: as leis da física são três. São? hahahahaha.

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Vc é demais.

Glosado por: dionea em abril 14, 2009 12:21 AM. Obiectiones eventuais por homelupus.

puxa, só agora, depois do dia seguinte, é que lembrei isso "de nossa geração". que vc esteja certo!

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Eu? Isso é uma self-fulfilling profecy!

Glosado por: ana rüsche em abril 15, 2009 09:21 AM. Obiectiones eventuais por homelupus.

Pode comentar aqui se quiser
(será preciso rodar um javascript; se não souber
o que é um javascript, já deve estar rodando ,-)


(a não ser que vc costume conversar com estranhos na rua)


(pode usar HTML, por exemplo: <em>texto_em_itálico</em> ou <br /> [faz quebra de linha])