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março 22, 2009

Pequenas iluminações II

Eu fiquei assistindo Big Brother e pensando nas minhas escolhas, que é ultimamente meu tema preferido no domingo.
É preciso realmente pensar no motivo de eu estar ouvindo Big Brother. É um programa de rádio, não é? No outro dia eu tinha de explicar para um aluno por que se diz the radio mas não se diz the television, só television, ou telly. Eu realmente não soube explicar. Eu mesmo não me convenci. Os artigos em inglês não funcionam como em português. Eu podia dizer que o rádio é só um, enquanto a televisão são vários canais. Eu acho que foi isso que eu disse. Mas rádio também são várias estações. As pessoas se reúnem em volta da TV de um jeito muito semelhante a como se reuniam em torno do rádio. Não parece haver motivo para a diferença. Às vezes é angustiante, e os alunos às vezes pensam: um dia eu aprendo isso, ou, um dia eu decoro. E assim postergam a angústia. Isso de postergar a angústia é uma sabedoria de vida. Eu sinto angústia hoje, porque fico ponderando qual será minha angústia amanhã. Nisso não tem sabedoria nenhuma, só desespero.

Mas é certo que eu não assisto Big Brother, prefiro muito mais Friends. Por exemplo, porque os atores acreditam mesmo que estão representando, enquanto no outro eles acreditam que estão sendo espontâneos. Eu sei que isso é óbvio, e ficaria melhor dito por um personagem. Mas embora finja, eu não acredito que estou sendo espontâneo. Acreditem em mim. Embora eu prefira mesmo Friends.

É preciso mesmo saber o que se quer. O que se quer ouvir, principalmente. Apesar de que não escutamos o que queremos, sim o que dizem. Na TV, por exemplo, ouvi isso: "Não adianta ficar me elogiando e não ser homem pra mim do jeito que eu preciso ser." É muito complicado, vc leva isso em conta ou não? Ela precisa ser homem, então? E cobra isso do cara? Ou não, a questão é totalmente outra? Eu não ando confiando muito no meu ouvido, ele tem me pregado peças. Eu acho que um psicanalista precisa confiar no que ouve, mas eu não ando confiando no meu ouvido. Ando desconfiado de mim mesmo. Afinal, a gente não escolhe o que escuta, mas, ao contrário do que se diz pode sim tampar os ouvidos.

E obviamente eu não tenho tampado os meus. E aí vem a pergunta: o que é que eu estou querendo escutar.

A Ju e o Anderson publicaram a segunda edição da Revista Som. Ficou mais legal que a primeira, eu achei, mas não vi tudo ainda, estou vendo.

***

Para quem lê, a conclusão é uma. Pra mim, é bem outra. Talvez eu esteja, sim, escutando demais. Ou só demais pra mim.

Publicado pelo homelupus em março 22, 2009 11:13 PM

Comentários

Ouvi isso, bobão! http://www.lastfm.com.br/search?m=all&q=interpol
bj
bosco

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Ainda não, veremos./

Glosado por: Slow Hands em março 24, 2009 02:43 PM. Obiectiones eventuais por homelupus.

-- Quando você retornar ao Poente, repetirá para a sua gente as mesmas histórias que conta para mim?

-- Eu falo, falo -- diz Marco --, mas quem me ouve retém somente as palavras que deseja. Uma é a descrição do mundo à qual você empresta a sua bondosa atenção, outra é a que correrá os campanários de descarregadores e gondoleiros às margens do canal diante da minha casa no dia do meu retorno, outra ainda a que poderia ditar em idade avançada se fosse aprisionado por piratas genoveses e colocado aos ferros na mesma cela de um escriba de romances de aventuras. Quem comanda a narração não é a voz: é o ouvido.


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Perfeito. É isso. Quem foi mesmo que me comentou esse livro no outro dia?...

Glosado por: d. em março 28, 2009 04:39 PM. Obiectiones eventuais por homelupus.

Pode comentar aqui se quiser
(será preciso rodar um javascript; se não souber
o que é um javascript, já deve estar rodando ,-)


(a não ser que vc costume conversar com estranhos na rua)


(pode usar HTML, por exemplo: <em>texto_em_itálico</em> ou <br /> [faz quebra de linha])