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janeiro 16, 2009

Sexto capítulo (quinto excerto)

Eu queria tanto que as pessoas escrevessem aqui e me ajudasse com esse diálogo possível. Mas bem, se elas não querem, se preferem esperar o bolo crescer, depois esfriar, e só então comer; se elas querem tudo pronto. Terá sido um erro apostar no contrário? De qualquer forma, agradeço os que têm me ajudado pessoalmente. E enquanto fizer sol, continuo trabalhando.

Cada vez que eu e Amanda nos encontrávamos, fazíamos como se fosse a primeira vez. Era uma espécie de encenação, um artifício criado com o objetivo de preservar o que era mais verdadeiro entre nós. No entanto, olhando para trás, não posso deixar de pensar que erramos grosseiramente, vendo agora que tudo, quase, restou escondido, senão mascarado. Não pôr à prova nossas opiniões, colocando-as explicitamente, foi uma forma de fazê-las passar sem nenhuma censura, e causar plenos efeitos.
-- Se você tivesse que decidir neste exato momento que rumo tomar na sua vida, se fosse possível, com uma única escolha, determinar o seu destino, sua realização -- pessoal -- seu lugar ao lado de Cristo -- direito ou esquerdo -- então você seria capaz de decidir?
-- Mas eu não tenho que decidir tudo de uma vez. Só a faculdade que eu vou fazer.
Como reunir a experiência de uma série de encontros, se cada um deles tinha como projeto ignorar a existência de todos os anteriores, de todos os posteriores? Como fazer vir à tona a verdade sobre essas inúmeras conversas, se nenhuma delas parecia mesmo fazer parte de um intento, de um roteiro que estava sendo escrito, ensaiado e encenado, mas que de fato faziam?
-- Mas o que é o inferno pra você?
-- O inferno pra mim, meu amor, é não conseguirmos terminar nada do que começamos.
Como resgatar esse roteiro, que estava então em minha mente, como fazê-lo aparecer em sua concretude, seria possível um tal diálogo? Ora, se é possível, então também é necessário.

Publicado pelo homelupus em janeiro 16, 2009 10:10 AM

Comentários

querido...
o começo, narrado, é de agora, né? ou não me apeguei a ele?
mas clareia, clareia sim...

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Oi, linda. É de agora, da praia, pra ser mais exato. Vc vê por aí que eu resolvi mudar um pouco a forma, não, radicalmente, desisti de manter só as falas do diálogo. Percebi que estava incompatível a forma pura do diálogo com a intensidade e a profundidade que eu estava exigindo do capítulo. Mesmo os diálogos do Doutor Fausto, do Mann, quando exigem maior profundidade, usam intervenções do narrador. Talvez a exceção seja aquele que eu publiquei, um tempo atrás, entre o músico e o empresário judeu. Mas ali funciona, primeiro porque é uma voz só (enquanto no meu são no mínimo três) e porque o empresário não é convincente o bastante, enquanto o meu personagem terá de ser. E por último porque o autor é o Thomas Mann. Aqui, é preciso um pouco mais de recursos para dar conta de todas as questões. Vamos lá, estou sentindo um pouco mais de confiança novamente, vou tentar manter esse ritmo (até dia 1° de fevereiro, são mais dois fins de semana, será que eu consigo?)

Glosado por: jo em janeiro 19, 2009 04:25 PM. Obiectiones eventuais por homelupus.

estou gostando. e sabe? esse trecho novo cria uma espécie de cenário, mas só para não dizer atmosfera, que me faz visualizar um pouco mais os dois juntos, ou como isso se faz possível, sem me perguntar o pq dela com ele...é isso, vai clareando e ficando "verdadeiro".
ah, continua, vai conseguir!

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A ver, a ver!

Glosado por: jo em janeiro 22, 2009 10:54 PM. Obiectiones eventuais por homelupus.

Pode comentar aqui se quiser
(será preciso rodar um javascript; se não souber
o que é um javascript, já deve estar rodando ,-)


(a não ser que vc costume conversar com estranhos na rua)


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