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dezembro 01, 2008

Atenção atenção!

Não cortem o cabelo no dezesseis real. Eu já cortei no trinta e seis, que antes era algo como vinte e seis, e deu bem certo. Eles são bons, embora meio frescos, mas de qualquer forma são viados ou japoneses de verdade, conforme o caso. Sem enganação.
Mas se vc, como eu, não pode se dar ao luxo de ir no vinte e seis real, depois que ele virou trinta e seis real, pode ir no dez real. Mas não qualquer um. Vc tem que ir no Aqui Jaz. Eles podem não ser bons, a ponto de cobrar trinta e seis real, mas são classudos, e é por isso que podem cobrar só dez e fazerem o serviço bem feito.

Mas não era disso que eu ia falar. Era alguma coisa extremamente bem elaborada a respeito de Freud, mais uma vez, de ele ter publicado a Interpretação dos Sonhos em 1899, mas pós-datado para 1900, antecipando a importância daquele texto pro Século XX, com a sua tese inesperada a respeito de que todos os sonhos são a realização de algum desejo -- note bem, não são encobridores de algum desejo, são a própria realização desse desejo -- o que é também o estabelecimento do que depois Lacan ia chamar de a ética da psicanálise: não ceder de seu desejo -- ao contrário do ato falho de alguém, feito por outros motivos, mas que revela o senso comum sobre a psicanálise, de que se trataria sim de não ceder ao desejo. Essa tese ele ia radicalizar depois no Além do Princípio do Prazer, que eu continuo estudando, sem dúvida, porque é um texto que praticamente não acaba, vcs vão me ouvir falar dele pelos próximos dois anos, não digo os que me lêem aqui, mas quem quer que me ouça falar, porque será minha pesquisa, a pulsão de morte, enfim, o que ele descobriu, e deu a essa descoberta o estatuto de uma resposta, após a Primeira Guerra Mundial, e me desculpem falar disso tão apressadamente, mas é que não era sobre isso que eu ia falar tampouco.

É que isso de o Século XX ter sido chamado de breve, porque começa em 1914, precisamente o ano de início da Guerra, e vai até 1989, com a Queda do Muro de Berlin, é bastante interessante pra mim, porque me lembra que eu mesmo, tendo nascido ainda em novembro do último ano da década de 70 me torna um pouco um outcast, um offset, um deslocado -- já houve um trocadilho a esse respeito na minha análise, descolado, que não é bem a mesma coisa, como se sabe -- o que acontece, em suma, é que o mês de dezembro não é de forma alguma o último mês do ano: é, ao contrário, o primeiro mês do ano seguinte. Ter me dado conta disso foi tão libertador, vcs não sabem, porque antes o mês de dezembro era um mês límbico, isto é, como o ano de 2000, que não era nem mais o século XX, nem só pela questão do Hobsbaun, mas porque não era mais 19.., mas também não era 2001, como se sabe, o primeiro ano do século XXI, e talvez possamos dizer mais tarde, o que diria o Hobsbaun, que um novo século se iniciou somente em 11 de setembro de 2001, mas isso eu não resolvo, mesmo porque acho meio generoso demais falar em novo século em tais circunstâncias, mas vejamos, vcs se forem tão chatos quanto eu foram ver que límbico é dos sistema que comanda as emoções, mas eu queria dizer daquilo que tem cara de limbo, em que portanto as emoções não estão exatamente bem gerenciadas, estão sim destrambelhadas, pra falar bom português, mas também devastadas, se vcs gostam do alemão tanto quanto eu, e digamos que um mês disso é meio punk, e que o meu inferno astral sempre foi, portanto, invertido, mas que, a partir de agora, já que se trata do primeiro mês de algo novo, temos um pouco mais a construir, um pouco mais a pensar, um pouco mais a planejar, e muito menos da desestruturação e desestabilização e falta de destinação que um mês como esse costumava causar.

Se o ano passado foi um ano de intensidade e verdade, em resumo, o ano em que precisamos nos apressar e nos afirmar brancos, mais de uma vez, e que sofremos as conseqüências de não fazê-lo, a cada momento, e que gozamos a alegria das vezes em que o fizemos, mesmo para o doloroso, mesmo para o desgastante, mas também para o júbilo, para o feroz, para o profundo, este ano que começa hoje...

Mas desculpem se não avanço, não era sobre isso mesmo que eu ia falar.

Publicado pelo homelupus em dezembro 1, 2008 05:11 PM

Comentários

sempre quando tento comentar, dá pau, por isso fico em silêncio. hehe, sim, acho que dezembro é um semi-começo, uma gestação, porque precisa ser um fim e um começo? celular tá muito caro, por isso blogue de zeroreal é também bem-vindo. beijo


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Táticas de corsário, é isso.
Nos vemos logo, beijo.

Glosado por: Alguém Talvez em dezembro 3, 2008 12:26 PM. Obiectiones eventuais por homelupus.

Ai, ai, o cocci e suas muquiranices! Não sei porque você inventou de cortar o cabelo! Não disse outro dia que o chapéu agora é moda novamente? [risos].

Beijocas saudosas!


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Marocas, o que tem a ver o cu com as calças?


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Nada a ver, oras! Mas achei deveras engraçada a observação que vc. fez antes de cuidar do que realmente importava no texto. Além disso, eu tinha que ser pentelha, né? Qual é a graça de fazer comentários sérios ultimamente?

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Ah, é, esqueci!

Glosado por: Carol Marossi em dezembro 3, 2008 09:35 PM. Obiectiones eventuais por homelupus.

Pode comentar aqui se quiser
(será preciso rodar um javascript; se não souber
o que é um javascript, já deve estar rodando ,-)


(a não ser que vc costume conversar com estranhos na rua)


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