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outubro 27, 2008

Por la Carnicería Punk (que no conocí)

Estou lendo Diego Ramírez Gajardo
não estou lendo estou sendo possuído
pela escritura desse menino e agora estou
tão emocionado quanto estaria
ao ver se apagar a chama que tenha
consumido uma cidade inteira
sem que se tenha terminado de queimar todos os livros
pelo que haverá recordações
que me farão apaixonado, como já estou

Agora vai você se mostrar surpreso
de que eu esteja apaixonado ou que eu tenha aprendido
a falar de amor, e sêmen
com um menino de vinte e cinco anos
e homossexual, ainda por cima,
e amor que se pronuncia em outra língua, uma língua
vulgar, sem sombras de dúvida,
ainda que me encante

Embora eu tivesse já aprendido
― isso não se aprende em qualquer lugar ―
a escutar o vulgo e a prole, a escutar
os analfabetos
a escutar aqueles cuja fala é indomada
não porque falem com raiva
mas porque falam com raiva e com amor
sem que se dêem conta,
ou sem se importar que andem juntos os dois
e cuja raiva os faz ter mais amor
e cujo amor os faz se enraivecer mais

E ele fala de um país em chamas
Brian se chama esse país
E que nosso país são nossos corpos
E de marcas sobre corpos
E conta histórias a esse propósito.
Como se então se tratasse da história do seu país
E eu me pergunto por que não temos nós marcas em nossos corpos,
Ou se as esquecemos
E por que não falamos da história do nosso país.
Não é que a tenhamos esquecido
Nem mesmo que a desejemos esquecer
É que nossos corpos não são o nosso país
E acreditamos que a nossa história se desenrola
Em outro lugar, uma história oculta
E esse é o motivo pelo qual não falamos do nosso país
E não aprendemos sozinhos a falar de amor, e sêmen
E só nos interessamos por aquilo que é oculto
Do qual nada sabemos, nada poderemos mesmo saber, e nada queremos saber

Mas você, Diego, acostumado à sombra
Acostumado aos lugares ermos
Você alcançou essa fronteira
E por ter alcançado essa fronteira você disse
esse é o vosso país
e eu não pude negá-lo
assim como não pude negar
que você tenha sabido do que falava
do amor quando em estar ajoelhado
e em ficar de joelhos por causa do amor

Agora não pense que eu nunca soube de que se tratava
agora eu ando também eu por essas calles
e não me parecem tão sombrias
porque há uma voz clara
há uma intenção certa
há uma porção de lugares que eu preciso visitar
e como entrarei nesses lugares
como uma sombra
para que você e todos os meus
possam saber como estão iluminados
eu irei por esses lugares sem luz nenhuma
porque não estou aqui para iluminá-los
mas acho que estou em condições de mostrar
como estão mal-iluminados.

Publicado pelo homelupus em outubro 27, 2008 01:01 AM

Comentários

saudades das nosas conversas, viu. sentar num lugar pra bater papo é sempre de graça.


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Ju linda, também tenho saudades, não pense que não. Vou tomar isso como um convite hein!

Glosado por: dionea em outubro 27, 2008 11:24 PM. Obiectiones eventuais por homelupus.

Putz, é, preciso escrever sobre isso. Estamos ficando velhos e bregas. Mas talvez, e isso é uma pergunta, talvez esteja exatamente aí. Porém está faltando um passo, é o que sinto.

Glosado por: Geraldo em outubro 29, 2008 06:15 AM. Obiectiones eventuais por homelupus.

Pode comentar aqui se quiser
(será preciso rodar um javascript; se não souber
o que é um javascript, já deve estar rodando ,-)


(a não ser que vc costume conversar com estranhos na rua)


(pode usar HTML, por exemplo: <em>texto_em_itálico</em> ou <br /> [faz quebra de linha])